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TROPEIRISMO CULTURAL
APRESENTAÇÃO- INÍCIO DA PESQUISA
A vida é feita de muitas coincidências. Há
mais ou menos 4 anos descobri que meu avô materno, o Sêo “Tonico”, fora
tropeiro na região de Fechados, distrito da cidade de Conceição do Mato
Dentro, lá na Serra do Cipó. Região com fortes marcas tropeiras. Saber
dessa herança foi fundamental. Fez com que me aproximasse mais ainda das
coisas da cultura mineira. Além disso, freqüento a cidade de Arcos há 17
anos. Cidade com forte influência tropeira e cidade natal de Sueli, minha
companheira na vida e na arte. Nas tramas dessas coincidências e da rede
que tece silenciosa nosso sentido e a nossa compreensão do mundo,
refazemos nosso caminhar e iluminamos novos caminhos na busca de entender
de onde viemos e quem somos. Nesse redemoinho da vida descobrimos tantas
cantigas e revelamos outras. Sempre com um intenso sabor mineiro de pão de
queijo, feijão tropeiro, causos de assombração e de saci, fogueiras e
fogão à lenha, café forte, cachaça da boa e noites de lua, filosofanças,
cantorias, poesia e sabedoria popular. Assim sendo, resolvemos iniciar
uma pesquisa cultural ao nosso modo, aprofundando na história e no
universo da cultura tropeira e incorporando esse manancial em nosso
trabalho musical-poético. Ao longo desse tempo nada nos passou
despercebido. Recolhemos cantigas, quadras, perguntas-respostas, temos
lido e relido Guimarães Rosa, pesquisado Câmara Cascudo, textos da
internet, dialogado e aprendido muito com os nossos velhos mestres-sábios
do interior, visitado museus, rememorado a infância, estudado história,
antropologia, usos e costumes dos tempos pretéritos das Minas Gerais.
Colocado corpo, mente e espírito nessa empreitada. A certeza que nos move
é de estarmos em sintonia com nossa memória social e com a história de
nossos ancestrais e de nossa comunidade. Buscando dialogar com poder
público e instituições não-governamentais, que desejam contribuir para
valorização das culturas locais e nos colocando como agentes e parceiros
na reabilitação de nosso patrimônio cultural. Quem sabe assim,
possibilitar novos diálogos com a cultura dos gerais.
O TROPEIRISMO NA
HISTÓRIA BRASILEIRA- BREVE CONSIDERAÇÃO
O tropeiro é um personagem muito importante
na história do desenvolvimento de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do
Brasil. "A palavra "tropeiro" deriva de tropa, numa referência ao conjunto
de homens que transportavam gado e mercadoria no Brasil colônia. O
tropeirismo é associado com a procriação e venda de gado, porém essa
atividade se iniciou com o desenvolvimento da mineração, entre os séculos
XVII e XVIII e hoje é raríssima no interior do Brasil. A descoberta do
ouro levou a população do Brasil Colonial a uma grande corrida em busca do
eldorado. A consequência disso foi a falta de alimentos e de produtos
básicos, responsável por sucessivas crises na primeira década do século
18.
O TROPEIRO EM BELO
HORIZONTE
O Curral Del'Rei ( hoje, Belo Horizonte ),
foi fundada pelo bandeirante João Leite Ortiz, que fundou a Fazenda do
Cercado no início do séc. XVIII. Era uma região, rica em belas paisagens e
com terra boa para a agricultura. Pouco a pouco um pequeno arraial se
formou, apoiado na lavoura e no trânsito constante de tropeiros. A
Freguesia Eclesiástica do Curral Del'Rei foi confirmada por Ordem Régia em
1750. A região começou a ser povoada como pouso de tropeiros. Levando toda
a cidade a sofrer influência do modo de vida desse personagem histórico. O
Curral Del’Rei foi local de passagem dos tropeiros que iam em direção à
Bahia. Era local de comércio e desenvolvia-se naturalmente para atender as
tropas, ao mesmo tempo em que os tropeiros levavam e traziam mercadorias
para a toda Minas. As regiões de Venda Nova, Barreiro, Pampulha, foram
caminhos por onde os tropeiros passavam e ara trocar mercadorias e onde o
gado podia pastar. Aí cantavam, contavam histórias, dançavam em volta do
fogo, demonstrando a face lúdica dos desbravadores das Gerais. As mulheres
confinadas nos casarões coloniais, tinham-lhe especial atenção, além dos
encantos, recebiam dele os tecidos em moda na Corte, sedas, veludos,
rendas estrangeiras, enfeites, e mais, algum bilhete de amores distantes.
O tropeiro abriu caminhos de oportunidades para muitas fontes da arte e do
ofício, teceu o elo de solidariedade nacional e soube dizer que a
identidade de um povo não se negocia. FONTE: Seu Juca , Arcos(MG), Seu Juquinha ( Lapinha da Serra), Nelos Jacò ( Jequitibá), todos nossos avós maternos e paternos e tantos mestres da rica cultura popular anônima; Guimarães Rosa , Grande Sertão Veredas, Noites do Sertão; Câmara Cascudo. Literatura Oral; Luiz Roberto da Silva , Doce Dossiê de BH ED. BDMG; Claudio Barbosa Recco, O tropeirismo no Brasil. Cantando e Reinaldo com Arturos, organização Comunidade Negra dos Arturos e coordenação Glaura Lucas e José Bonifácio da Luz. Darcy Ribeiro – O Povo Brasileiro –A formação e o sentido do Brasil. Sérgio Buarque de Holanda- Raízes do Brasil.
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